sexta-feira, 21 de novembro de 2014

exórdio nagô ao affair modernista


Conheci essa guria num café, a Nara Odara. Tão cultural, a Nara, que se você colocava o mamilo dela sob uma agulha de vitrola, tocava um bootleg inédito do Cartola. Ah, minha jóia rara, você era tão boêmia. E no outro era um best of do Chico. Tão boêmia, a Nara, que, acaso pilado, seu latifúndio dorsal produzia um inconfundível som de cuíca; e nessas horas, que sofisticada delícia antropofágica pós-estruturalista, era improvisar um sambinha - o legítimo samba de roda, dir-se-ia -, enquanto lia a orelha de um Bourdieu ou de um Bauman, até a modernidade jorrar líquida, ressignificando artisticamente sua hipofaringe. E, não vos fresco aqui, bróders, mas uma vez a Nara tomou uma sopa de letrinhas e, havendo ela destronado o toalete fazia pouco, ia eu herdar seu reino, quando lá vi um poema concretista boiando, em lugar da oferenda standard a Iemanjá, leminskiano e sereno

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