domingo, 3 de agosto de 2014

Ontem sonhei que acordava de um sono inquieto, apenas para encontrar, em lugar da minha maçaranduba indócil, Fabrício Carpinejar. Num registro fanho de Rumpelstiltskin, sua cabeça reluzente e túrgida, agora minha infausta glande, produzia um fiozinho contínuo e monótono de queixume autopiedoso, numa sintaxe afetada. Mirei detidamente a anomalia no interior da cueca, até, transido de horror cósmico, saltar em busca de uma tábua de carne na cozinha, e minha tramontina Inox Premium 22''. Alguns minutos de tensão extrema transcorreram, com a minha piroca, ou antes Fabrício Carpinejar, estirado molemente na tábua; a faca, tremulamente empunhada acima. Faltou-me a frieza. Marquei um cirurgião oncologista, que dias depois, tendo-me cutucado o novo e insólito órgão com instrumentos, sob lanternas e lupas, dir-me-ia tratar-se de um tumor peniano raro, em comportamento, bem como aparência, idêntico ao emérito escritor sulista (expressão que não se aplicará com a mesma exatidão a um saco de húmus no Amapá, visto não ser estoutro - o fertilizante natural ora em escrutínio - sulista). Era letal, e afetava diretamente o cérebro, que o portador da enfermidade, cedo ou tarde, explodiria com um revólver, ou contra o estacionamento concretado de um prédio comercial. Minha família foi atualizada; fui mandado, sob o pranto inconsolável de mamãe, e de vovó, para a sala de cirurgia. Acordei dia seguinte; era uma bela manhã. Flores balançavam na janela como pênis normais, e vovó segurava minha mão, sorrindo. "Como está, querido?", perguntou-me; sorrindo de volta, disse-lhe um "bom dia, vovó. Tudo bem" e "como...? como foi o...?". "Seu órgão copulatório está ótimo, querido. Não se preocupe. Estivemos todos conferindo, em turnos revezados". Preocupado, falei: "Meu pênis não é mais o Carpinejar?". "Não, querido. Ainda está envolto em gaze, mas todos vimos embaixo, e está tão diferente de Carpinejar quanto um membro masculino pode diferir de Carpinejar", disse, apertando forte a minha mão, a voz embargada. Eu estava aliviado, e repeti, mentalmente: "minha piroca não é mais o Carpinejar". Alvejou-me o entrecorno uma idéia, como um período de um escritor realmente competente, e, aterrorizado, gaguejei: "Houve... diga que não... houve alteração de...?". "Querido, não permita que similares temores preencham sua cabeça, que, pela vermelhidão, ainda deve latejar", e alisou minha testa. "Da pujança e majestade naturais d'antanho, seu pilão em nada se mostra falto. Enquanto dormia, testemunhamos, família e equipe hospitalar, o erguer-se impávido do mesmo, como um frondoso jequitibá, equino farol em felpuda angra, após clinicamente estimulado por uma enfermeira com interesses multidisciplinares na área da putaria franca". Exultamos, pois que tudo correra bem, e minha pica não era mais um escritor sulista.
Aí, ouvi. Era uma vozinha. Vinha das minhas partes pudendas. Era repelente; era ignomniosa. Entrecortava-se, aos pequenos solavancos amigáveis de pura abjeção. Levantei o lençol hospitalar e, costurada ao tronco do meu minarete wândico, notava-se, satisfeita, a cabeça, convalescentemente alegre, de Serginho Groissman.

3 comentários:

fochesatto disse...

parabéns!

fochesatto disse...

btw, https://desenhaporra.files.wordpress.com/2012/02/kill.jpg.

Daniel Liberalino disse...

quem é o autô, fosche? traço sigarantex