sexta-feira, 14 de junho de 2013

Nova edição

É com enorme, espesso, pulsante, frondoso, facialmente estapeante prazer que relanço para vocês, cyber-surfistas da interwebs e de toda a Miguxolândia Orkutofederativa (ex-Brasil), o Corpúsculo num Plano em miguxês. Fruto ímpio e francamente repulsivo de minhas torturadas, graves introspecções beletristas de soturno homme de lettres, o livro está disponível em pdf nesse link. Admito que, conquanto proclive ao miguxo arcaico, findei optando pelo miguxo contemporâneo; estoutro, a meu ver, penetra de modo mais completo e lubrificado no zeitgeist cu-toral do novo leitor facebookiano.

Confira, serelepe e festivo, logo abaixo, um seboso excerto do retro-arrolado certame, e acaso lhe acosse como uma velha e resiliente oxiurose ou icterícia medicamentosa a temeridade de lê-lo em papel, no velho português deficitário em gala esofágica, o livro tangível pode ser comprado aqui, ou roubado do pé das portas que tem ajudado liricamente a escorar:

"kUm TOdah a SUAH TenDEnciaH A aGluTINAXXaUM HIeRArkICAh...EStrutuRAU...MSm U joGU DAh HumAnIdaDi APrEsentAh fAlhaxXx; LaCunAxXx eSPOradicaxXx NaH redI UbIkaH DI KOnexXxoexXx socIaixXx...ondi ExXxPErIMEnTaMuxXx exXxIsti Forah DAH ebUliXXauM antROpIcah...Em aUtoXXUfICiEnciAh...... vUxXxe podI TAH numAH RodOviARIah...Alem Du ExXxPeDiEntI NOrmAU; NuM klUbe DISeRtu; NU EsTaCioNaMENtu Di 1 dRiVi-in; TaRdI dAH nOitI...nUMaH EstaXXaum eNTRe sauM PAUlU I riu DI jANEiRu...iNSulAdAh PoR PradariaxXx sEm fiM...... EH komU TAH MorTU...... a seNsAXXAUM eH Di cERTU aLIviU...deVi-SI admITI...... eNfIM...nauM eh TaUm gravi...... U dIah KOMeXXAh A amaNHecE nU intErIor......"

"GoREti SI voLtaH i ME vE...... nAuM mE KUMprimeNTah; kontInuU a sIguI-LAh...SeM moTivu...... UxXx pRediUxXx formAm padROExXx MonoToNUxXx KONtRAh U Ceu...VAziu dI NUvenxXx...... FiCAmuxXx ALgunxXx MInUTUxXx NiXXU...I kOMEXXah a sE EMBaRaXXOSu; resOlvU xXxAMaH-lAH......

- GoRETI!!!!! – gRitU...aCEnAnU......

GOreti PArAh nAH EsKinAh I sI VOLTaH...... vow Me AproxXximAnU PeLah kalXXADah......

- oi.................. I eNTAuM??!?!..................vUxXxe..................??!?! – NAuM ME ocORRe NadAh...... – ..................TudU bem??!?!

elAH Ri KONSTRaNGIdAH i fAlaH SEKencIAxXx rapiDaxXx DI KOisINHAxXx...Ki nAUm SAuM Bem pALaVrAxXx......

- tAH fazENu U KE??!?!

"A imaGi dah ViaH laCTeAh eH paRTicuLArmEntI REiNCiDEnti; a GaLAxXxiAH espIrALAnu Em SILEnCiu Prah dentru Di sI Msm; esCoANU pRAH akeLE BuRacu negRU nU ceNTrU...PaRadeENHU laH komU 1 bocaH sEm faci...inUmanAh I PaciENTI...... A rAdIaXXaUM inviSiVEu OCuPaH I ENvEnEnaH u VAcUu...elimInanu A poXXIBiLIdAdI DI VidAH......"

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Experimentando com colagem para o encarte do Fricção de DMingus. De minha parte, contribuí irreversivelmente para as músicas "Naturalmente punks", "Autossabotagem" e "Estrela do oriente" com uns coraizinhos e synths e colagens sonoras.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Philip e John

- Olhe ao redor, John. É abril, o mês mais cruel.
- Sim... Tergiverso, mas cuidado, Philip. Há algumas balas vindo em nossa direção.

Explosões e estilhaços.

- Apenas torna mais clara minha asserção inicial.
- Não há moralidade aqui... É o zeitgeist.
- John, há muitos corpos ao redor; é como se estivéssemos na guerra. Será difícil achar espaço nesse dormitório topologicamente irregular.
- Refere-se, sumariamente, ao mundo?

John é estapeado no rosto.

- Prepóstero. Não dormiria lá, por nada nesse mundo. Desconchavo! Insinuar que faço esse tipo configura atitude indigna de você, John, velho comparte cuja conveniência narrativa é meramente circunstancial. Há pouco ou nenhum controle de pragas lá. Ratazanas, aranhas... até leões.
- Deus não abriria um dormitório, Philip, a menos que fosse propriamente dedetizado, estou certo – retira um cigarro e, fazendo uma concha com a mão, o acende – Não vejo nenhum melhor aqui, de qualquer forma.
- Pergunto-me se indulgenciará uma breve digressão, em momento decisivo de vossa linha argumentativa, John.
- Indaga-se, com efeito? Pois bem. Felizmente, Philip, ao enunciar a si mesmo a questão que, em seu imo, o aflige, pude ouvi-la outrossim. E apenas para adicionar à felicidade anterior, julgo-me mais apto que vós a respondê-la, pois sou eu, John, e não vós, Philip, aquele sobre cujo juízo vossa proposição deriva em incertezas.
- Foi apenas um modo de dizer, John, mas exulto que o tenha ouvido. Meu ensejo outro não era, senão expressar que vossos cachos, de desirmanado rútilo, aleitam-se sobre vossa fronte numa conformação tal que, em mim, produz duradoira serenidade, em tempos de incerteza sociologicamente unânime.
- Atribui, pois, ao suave e – ouso dizê-lo? – barroco encaracolar dos meus cabelos, um antinômico peso fundacionista, em um paradigma cultural de resto niilista?
- Tomo-o com efeito, John, por um crivo kantiano; uma pedra-de-toque para a certeza. Mas veja, aviões liberando cargas explosivas.
- Poderiam danificar as árvores.

Ouve-se um assobio. Explosões. São atirados a alguns metros de distância.

- Lá, os arbustos. Estão danificados, John, conforme temia. Note, em particular, este ramo.

Philip exibe um ramo, parcialmente queimado.

- Nada garante, todavia – observa John – que os responsáveis não retornarão para o replantio.
- Já vão quase ao horizonte, John, e até o momento, não manifestaram qualquer intenção de retornar.

Philip é baleado e cai.

- Estamos na guerra, Philip; parece-me semanticamente seguro afirmá-lo.
- Morda-me se eu estiver louco, John, mas acho que está certo. Quanto independe, quer-me parecer, da orientação semântica presumida, seja correspondencialista ou contextualista.
- Bummer.