sábado, 17 de março de 2012

À noite, vou jantar na praça de convivência, no centro da cidade. Saindo de lá, compro algo para beber numa loja de conveniência. Sento num banco do estacionamento. Fico bebendo e assistindo ao vaivém no posto de gasolina.
Quando chego ao terminal, o lugar está quase deserto. Algumas poucas figuras espectrais aguardam os últimos ônibus da noite, sentadas em bancos de cimento, recostadas às paredes fuliginosas, sob a luz opaca das lâmpadas. Creio reconhecer vagamente um ou outro rosto – a fauna típica; logo os esquecerei. Também sou um desses rostos vagamente reconhecíveis, me ocorre. A condição endêmica de voyeur, conatural à civilização; como ser um fantasma, em certo sentido, um vagar fastidioso entre figuras incomunicáveis, sobre as quais não se tem real curiosidade. Passo um bom tempo esperando o ônibus, adormecendo às vezes. Sou acordado pelo sujeito do guichê. Passa da uma hora da madrugada; ele me informa que o terminal foi fechado. De fato, observo, não há ninguém ali. Saio, ainda bêbado, e pego um táxi.

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