sábado, 22 de março de 2008

Tacuinum sanitatis



Em lenta procissão marchavam as almas frementes - seus cheese-burgers dietéticos atomicamente instáveis atingem o limiar da fusão - entre ruínas colossais de impérios esquecidos; banhados pela chuva cáustica que, clemente, amenizava distúrbios causados pela menopausa. Eu sonhava com a máxima distensão da região abdominal. Erguera-se assim do Vazio, em esplendor sildefanílico, tonitruante como a disfunção erétil do sexagenário, o Verbo súpero; a revoada antioxidante de floras intestinais indefectivelmente reguladas – havia escuridão; postos de gasolina – as faces em chama, apagadas, viram renascer o Monstro Antediluviano, emerso do oceano de reputações impolutas; de incontinências parcialmente diagnosticadas.
Sua irmã era um Power Ranger vitimado pela esclerose. Seu pai, apicultor. Ambos estrelaram o drama baseado em fatos reais sobre dois escritores neoclássicos que perderam os quatro membros na Primeira Guerra, e que, sem cadeiras de roda, atravessaram o país para entregar ao poeta americano T. S. Eliot duas fichas cadastrais, contendo a data da invasão alienígena codificada numa mancha de barbecue – comovendo assim a nação, que os estriparia casualmente. - Não é tarde demais – disse. – Não é tarde demais para compartilharmos nossas próteses fálicas; nós teríamos uma conexão única. Só assim talvez, penso, haveria entre nós intimidade suficiente para a indução mútua da emesis bulímica – confessou, no programa de auditório, ao grupo de dançarinas bulímicas.
Eu havia encontrado na bulimia uma nova maneira de expressar quem sou por dentro. Um dos pontos mais emocionantes da cerimônia foi quando Iza entrou com o noivo cantando uma versão, escrita por ele, da canção 'No Meu Coração Para Sempre Vai Estar', tema da animação do filme Tarzan. Nesse momento Maurício não se conteve e foi às lágrimas. Falhas no protocolo de comunicação desestruturavam a brisa fria da manhã, quando minha alma foi inundada pela súbita necessidade de otimizar meu ambiente coorporativo; seus olhos distantes escondiam tristeza e indiferença.


(Ah, pois é. Passarei a postar alguns desses meus desenhos, como quasi-ilustrações. Não é *fantástico*?)

Um comentário:

olavo disse...
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